sábado, 10 de dezembro de 2016

A luz do novo ciclo político, entendemos os possíveis caminhos para a transformação da região Norte Fluminense?

Importantes organizações da região Norte Fluminense repetem praticas arcaicas que não contribuem com o necessário movimento de transformação socioeconômica regional. As iniciativas promovidas por alguns segmentos, no contexto da proximidade do início de um novo ciclo político, parecem ratificar essa afirmativa, já que a sua natureza é de capitalização política. Claramente, cada segmento busca seus próprios interesses, em detrimento do interesse coletivo.

Faço uma leitura crítica ao teor de um desses encontros recentes em Campos dos Goytacazes, onde no âmbito da discussão sobre desenvolvimento regional, o argumento era a defesa dos incentivos fiscais promovidos pelo estado. Na visão do palestrante, tais incentivos foram fundamentais para a vinda de muitas empresas que geraram muitos empregos em todo o estado.  

Esta visão míope precisa ser bem avaliada pelos prefeitos eleitos. Na verdade, os defensores dos incentivos fiscais parecem não entender o quadro da grave crise vivenciada pelo estado. No período entre 2007 e 2015, o estado cedeu desonerações fiscais da ordem de R$186 bilhões para grandes empresas nacionais e internacionais, enquanto a sua dívida evoluía para R$107 bilhões em 2015.

Talvez para sensibilizar a plateia regional, o palestrante citou o exemplo de São João da Barra. Em suas palavras, o município foi beneficiado com 5.000 empregos, em função do porto do Açu. Primeiro importa dizer que as empresas do porto do Açu não constam da lista dos principais beneficiários das isenções fiscais do estado. Segundo, o crescimento do emprego não gerou bem-estar para a população. Podemos provar tal afirmação, considerando a hipótese de que o emprego no comércio é impactado pelo emprego total. Ou seja, como indicador da dinâmica econômica local, no caso de uma forte correlação com o emprego total, garantiria bem-estar para a população. Caso contrário, a população não se beneficiaria do grande volume de emprego gerado.

Nesse caso específico, apuramos os resultados para os municípios de Itaguaí, Itaboraí, Macaé e São João da Barra, considerado que os mesmos receberam forte aporte de investimento em grandes projetos.


Fonte: Elaboração própria, com base no Ministério do Trabalho

Assim, podemos verificar no gráfico que a fraca correlação em São João da Barra é indicio de que a população não se beneficiou do emprego gerado pelo porto do Açu. Os índices mostram que os outros municípios apresentaram maior capacidade interna de absorção do emprego total, através de sua correlação com o emprego no comércio.
                                                                                                  
Em nossa conclusão, fica a seguinte mensagem para os prefeitos eleitos. Aceitar os argumentos de interesse associados a segmentos específicos, pode não ser a melhor estratégia. Aconselho a seguir o instinto endógeno, buscando as soluções para os problemas locais no estoque de recursos, tangíveis e intangíveis, estritamente doméstico.

Matéria publicada em 08 de abril de 2012

São Paulo, domingo, 08 de abril de 2012Mercado
Mercado

Texto Anterior | Próximo Texto | Índice | Comunicar Erros
ANÁLISE
Desafio da região é converter riquezas em inclusão social
Cenário de oportunidades para a sociedade é otimista e precisa de um olhar crítico

ALCIMAR DAS CHAGAS RIBEIRO
ESPECIAL PARA A FOLHA
É inegável a perspectiva de crescimento econômico do norte fluminense. Na região, está situada a bacia petrolífera de Campos, responsável pela produção de 85% do petróleo nacional, e o complexo portuário do Açu, ainda em fase de construção e com a expectativa de gerar R$ 40 bilhões nos próximos 15 anos.
Diante da expectativa de grandes transformações, o crescimento garantido se confunde com desenvolvimento e inclusão social. Poder público e empreendedores lançam mão dos estudos de impactos ambientais e constroem cenários de oportunidades para a sociedade.
Essa argumentação, extremamente otimista, precisa de um olhar crítico, pois é essencial o resgate da história, que mostra a existência de um primeiro ciclo portuário no período de 1740 a 1890, na localidade de São João da Barra, cuja extinção ocorreu em função da chegada da linha férrea com custos mais baixos e maior produtividade.
O exemplo do passado, que deixou mazelas de ordem cultural e também política, serve de lição para entender o ambiente receptor dos investimentos presentes.
A experiência petrolífera da região nesses últimos 35 anos permite ainda observar que não há uma relação direta entre investimentos e desenvolvimento socioeconômico das cidades. Nesse período, conviveram na região a formação de riqueza concentrada e a exclusão social.
Uma análise dos indicadores da fase de construção do porto do Açu também ajuda a entender o cenário.
Por exemplo, houve um crescimento de aproximadamente 100% no número de empregados formais nos últimos quatro anos e, em janeiro de 2012, São João da Barra -cidade de 32 mil habitantes que abriga o terminal portuário- contabilizava 6.400 trabalhadores após investimento de R$ 2,5 bilhões.
Qualitativamente, verifica-se uma demanda por ocupações com baixa qualificação, além da presença de um grande contingente de trabalhadores de outras regiões que remetem parte da renda para a cidade de origem, permanecendo apenas uma parte dos ganhos no município.
O impacto desse crescimento na arrecadação municipal também é irrelevante no contexto geral, já que a receita orçamentária do município tem dependência de 78% das transferências de royalties e participações especiais da produção de petróleo.
Em São João da Barra, o ISS (Imposto Sobre Serviços) aumentou de R$ 1 milhão em 2007 para R$ 10 milhões em 2011; o dinheiro dos royalties gera R$ 11 milhões por mês.
A soma dessas considerações permite consolidar a necessidade de um novo olhar sobre o momento de transformação da região. Uma reflexão da trajetória histórica e a análise de indicadores podem ajudar a formar cenários futuros mais equilibrados.
ALCIMAR DAS CHAGAS RIBEIRO, 59, economista, é professor da Universidade Estadual do Norte Fluminense.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Resultado da Balança Comercial brasileira em novembro

A Balança Comercial do Brasil foi superavitária em US$4.758 milhões em novembro. As exportações somaram US$16.220 milhões e as importações US$11.463 milhões. No acumulado de janeiro a novembro, o superávit somou US$43.282 milhões, resultado de US$169.307 milhões de exportação e US$126.025 milhões de importação.
Os bons resultados, entretanto, não são animadores. Na verdade o valor das exportações no período de janeiro a novembro deste ano foi menor 2,9% em relação ao mesmo período de 2015, enquanto o valor das importações foi menor 21,7% no mesmo período. Vejam que o elevado saldo superavitário neste ano é fruto de forte retração nas importações.

Exportação de petróleo em novembro

A exportação de petróleo bruto em tonelada caiu 2,5% em novembro, com base em outubro deste ano, porém cresceu 56,6% em relação a novembro do ano passado. 
A receita em dólar cresceu 4,6% em novembro, com base em outubro e cresceu 72,8% em relação a novembro de 2015. Já o preço por tonelada cresceu 7,3% em novembro, em relação a outubro, e cresceu 10,3% em relação a novembro de 2015.
Podemos observar no gráfico uma consistente evolução do preço do petróleo em tonelada deste ano. O preço de novembro é maior 44,5% do preço praticado em janeiro.

Exportação de Minério de Ferro em novembro

A exportação de minério de ferro, em tonelada, cresceu 4,8% em novembro, com base em outubro e 12,3% em relação a novembro do ano passado. A receita em dólar cresceu 11,1% em novembro, com base em outubro e 37,0% em relação a novembro de 2105. O preço evoluiu  5,9% em novembro, com base em outubro e 21,7% com base em novembro do ano passado.
O gráfico, a seguir, apresenta a trajetória dos preços da commoditie nos anos de 2012, 13, 14, 15 e 2106. 
Os preços de minério de ferro evoluíam bem neste ano, comparativamente ao passado. Entretanto, ainda continuam muito aquém do triênio 12, 13 e 14.

Exportação de Açúcar em Bruto em novembro de 2016

A exportação brasileira de açúcar segue evoluindo neste ano. O volume embarcado em tonelada cresceu 11,5% em novembro, com base em outubro e 3,5% em relação a novembro do ano passado. A receita em dólar cresceu 17,8% e 45,6% consecutivamente nos mesmos períodos. 
O maior crescimento da receita em novembro deste ano, com base em novembro do ano passado, se deu em função da forte evolução do preço por tonelada. O crescimento do preço atingiu 5,6% em novembro, com base em outubro neste ano e 40,7% com relação a novembro do ano passado.
O gráfico a seguir apresenta a trajetória ascendente do preço da tonelada de açúcar em bruto no comércio exterior em 2016.

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Emprego formal em outubro na região Norte Fluminense

A região Norte Fluminense eliminou 1.500 empregos em outubro. Esse número foi menor, em relação aos 2.591 empregos eliminados no mês de setembro. Campos eliminou 596 vagas, Macaé eliminou 538 e São João da Barra eliminou 313 vagas de emprego no mês. 
No período de janeiro a outubro, Macaé já eliminou 11.198 vagas de emprego, Campos eliminou 3.411 e São João da Barra eliminou 1.211 empregos no acumulado. No acumulado total são 16.711 vagas de emprego eliminadas na região Norte Fluminense.
Setorialmente, Campos eliminou 1.550 vagas no setor de serviços, 1.461 vagas no comércio, 1.172 na indústria de transformação e 720 vagas na construção civil. O setor agropecuário foi o destaque com a geração de 1.659 novas vagas de emprego no período.
Já em Macaé, foram eliminadas 6.483 vagas no setor de serviços, 1.917 vagas na construção civil, 1.324 vagas no comércio, 991 vagas na indústria de transformação e 457 vagas na industria extrativa mineral.
São João da Barra eliminou 712 vagas na construção civil, 167 vagas na industria de transformação, 164 vagas no setor de serviços e 113 vagas no comércio.
O estado do Rio de Janeiro eliminou 189.297 vagas de emprego no período de janeiro a outubro, enquanto o país eliminou 792.250 vagas de emprego no mesmo período.